O que muda com a nova regra dos juros rotativos

Juros rotativos são bem altos

Existem novas regras para os juros rotativos. Nesse artigo vamos mostrar quais são e o que vai mudar na prática para quem tem um cartão de crédito.

Os juros rotativos incidem quando se faz um crédito rotativo. O crédito rotativo é quando você usa o saldo do seu cartão de crédito, mas depois não tem como pagar o total do valor da fatura. Nesse caso, são cobrados os juros rotativos.

A questão é que muitas famílias estavam se endividando por conta do uso de cartões de crédito, especialmente por conta dos juros rotativos. Esses juros são muito mais elevados do que qualquer outro método de pagamento. Para se ter uma ideia, em 2016, a taxa de juros rotativos estava em 484,6% ao ano.

Muitas pessoas acabavam usando o cartão de crédito como uma extensão do seu salário, e não como um empréstimo a quitar assim que receber. Por esse motivo foi criada a nova regra dos juros rotativos, que impõe restrições ao uso do rotativo, e assim obrigar os próprios bancos a oferecer outras soluções de parcelamento com juros mais baixos do que os até então praticados.

O que muda

Com as novas regras, os clientes passam a ter mais restrições quando optam pelo pagamento do mínimo da fatura, entrando assim no crédito rotativo. Ao contrário do que acontecia anteriormente, agora quem optar por entrar no pagamento mínimo do cartão já não poderá fazê-lo por meses consecutivos.

Antes das novas regras, quando recebíamos a fatura do cartão, necessitávamos apenas fazer o pagamento de 15% do valor da fatura, o tal “pagamento mínimo”. Os valores que ficavam por liquidar passavam para a fatura do mês seguinte e era adicionado os juros.

No próximo mês, caso não fosse pago o valor integral da fatura novamente, era possível fazer um novo pagamento mínimo do cartão, de mais 15%. O processo se repetia, indefinidamente.

Agora essa regra mudou bastante. O consumidor que não puder fazer o pagamento integral da fatura do cartão ainda poderá fazer o pagamento dos 15%, mas somente no primeiro mês. No mês seguinte, o banco passa a ser obrigado a oferecer uma linha de crédito de forma a parcelar a dívida.

Nesse caso, os clientes poderão negociar um prazo de pagamento, com uma taxa de juro bem inferior àquela que pagariam com o crédito rotativo.

Assim, ao contrário do que acontecia anteriormente, não se fica com uma dívida enorme por pagar, aumentando todos os meses. Os clientes ficam obrigados a assumir o financiamento da dívida, a juros menores, mas com prazos determinados.

Poderá sempre, tal como acontecia antes, fazer o pagamento integral da fatura na hora que quiser.

Estas mudanças são muito benéficas para as famílias, especialmente por não deixarem que elas acumulem dívidas intermináveis e insuportáveis com o seu cartão de crédito.

No entanto, para aqueles que usavam o rotativo do cartão como um complemento do salário, podem ver estas novas regras como uma privação de liberdade.

Mas a verdade é que essas novas regras vieram beneficiar o consumidor, e não prejudicá-lo. Agora tem uma alternativa aos juros rotativos.

Apesar dessas alternativas, não é algo que seja fácil. Aliás, pessoas que já não consigam pagar o mínimo dos 15%, muito dificilmente conseguirão pagar o parcelamento da dívida.

Nestes casos a melhor opção é buscar um empréstimo pessoal, com juros bem menores, mesmo com as novas regras. Embora já esteja bem melhor, ainda apresentam taxas das mais elevadas do mercado.

Evite entrar no rotativo

O mais importante é evitar, a todo o custo, entrar no rotativo. Os gastos nunca podem ultrapassar os ganhos. Essa é a regra básica a seguir, sempre.

Para isso, é preciso ter sempre as contas bem controladas. Se gastarmos mais do que podemos, o importante é analisar quais são os gastos que precisam ser cortados. Devemos adequar os gastos à realidade.

Priorizar sempre as despesas com maiores taxas de juros, aqui incluímos o cartão de crédito. No caso de já ter uma dívida, o ideal é conseguir uma renegociação, com uma taxa de juros mais baixa. Depois, devemos priorizar as despesas que possam comprometer um bem, como o veículo ou imóvel. Priorizar também as contas que implicam a suspensão de serviços.

Uma dica muito importante: nunca comprometa mais do que 30% da renda com despesas fixas. Aqui estão incluídas as contas de aluguel, luz, telefone, água, gás, e afins. Depois reservar mais 30% da renda para alguns imprevistos que possam acontecer.

Anote sempre todos os gastos que tem com o cartão. Dessa forma, é possível saber se poderá cumprir com suas obrigações no final do mês, e quando deverá parar de passar o seu cartão.