O que são bancos digitais? Eles são bons para mim?

Por Isabela Borrelli

mulhe com celular e cartão na mão

Apesar de oferecerem uma infinidade de produtos financeiros e carregar uma história de peso, os bancos tradicionais vem sendo incomodados por pequenas empresas de tecnologia com serviços super especializados. As fintechs, como são conhecidas as startups do setor financeiro, estão ganhando força e conquistando milhares de clientes com atendimento rápido, valores atrativos e praticidade.

Prova disso é um relatório divulgado pelo J.P. Morgan em maio de 2018. Analistas avaliaram o desempenho no processo de abertura de conta corrente pelo celular em dez instituições financeiras. Do lado das fintechs, foram analisadas Agibank, BTG Digital, Inter, Neon, Nubank, Original e Next; dos bancos tradicionais, Banco do Brasil, Itaú e Santander. O resultado foi que nenhum dos bancos tradicionais conseguiu oferecer um processo inteiramente online e, de uma forma ou de outra, os analistas precisaram comparecer a alguma agência física.

Por mais que pareça que as fintechs surgiram “do nada”, elas estão presentes no mercado brasileiro há mais de 10 anos. Mas foi nos últimos dois anos que elas tiveram o impulso regulatório para apostarem no modelo de bancos exclusivamente digitais. Com isso, é possível não só abrir contas no celular, mas também fazer todas as funcionalidades no aplicativo sem precisar comparecer a uma agência.

Então, bancos digitais são iguais aos tradicionais, mas no aplicativo? Não é bem assim.

O que são bancos digitais?

Bancos digitais são, como o próprio nome diz, instituições financeiras que oferecem produtos e serviços principalmente em plataformas digitais, ou seja, nada de ter de se deslocar até uma agência para fazer alguma operação financeira. Eles não possuem agências. É possível abrir conta, fazer pagamentos, transferências e todos os outros serviços no celular. Os principais atrativos são as tarifas baixas ou inexistentes. E a praticidade.

Antes de 2016 não existiam bancos digitais propriamente ditos no Brasil. As coisas mudaram depois da resolução 4.480/16, do Banco Central, que autorizou a abertura e o encerramento de contas de forma totalmente digital. Como resultado surgiram o Banco Original e o Banco Inter. Em 2018, outro passo importante para as fintechs foi a aprovação da resolução 4.656/18, que permitiu que as fintechs não tivessem necessidade de intermediação de um banco para conceder crédito.

Hoje, os principais bancos digitais do País são Banco Inter, Original, Next e Agibank, e, sem dúvida, a lista continuará a crescer nos próximos anos.

Bancos digitais x bancos tradicionais: qual é a diferença?

Os bancos digitais são diferentes dos tradicionais, das tarifas ao atendimento, passando pelos serviços. Exatamente por não possuírem uma estrutura física, os bancos digitais também trazem atrativos econômicos:

“As mensalidades e tarifas, normalmente, também são mais baixas em um banco digital do que em um banco tradicional”, afirma Alexandre Alvares, CMO do Neon Pagamentos, fintech que oferece contas digitais.

Por exemplo, enquanto no Itaú a anuidade de cartão de crédito básico é de R$ 72, em bancos digitais há a opção de não pagar anuidade nenhuma.

Mas não para por aí: os bancos digitais tendem a ser mais transparentes e possuir um atendimento mais rápido, geralmente disponível via telefone, e-mail e até chat online.

Bancos digitais também são diferentes, por exemplo, de bancos tradicionais que oferecem aplicativos e sites onde é possível realizar algumas operações.

“Uma das grandes diferenças é que os bancos tradicionais têm canais digitais de atendimentos, mas nesses casos o digital é um dos canais. Os produtos que eles oferecem no digital são muito parecidos com o mundo físico. Para o banco digital, é preciso repensar o produto e a jornada do cliente”, afirma Jeferson Honorato, superintendente executivo do Banco Next.

O Next, por exemplo, é um banco digital que aposta em produtos diferenciados como o Flow, funcionalidade que ajuda o cliente a organizar a vida financeira. Nele, é possível dizer quanto você quer gastar por categoria e o aplicativo controla o seu orçamento; ou então deixar no automático e contar com a ajuda dele. Outro exemplo é a agência virtual, na qual os clientes podem interagir com gerentes todos os dias da semana em qualquer horário.

No caso, o Next é uma iniciativa do Bradesco, mas difere de apostas digitais de outros bancos ou instituições financeiras por um detalhe: muitas delas ficam em contas digitais e não em bancos propriamente ditos.

Dessa forma, contas digitais diferem consideravelmente de bancos digitais, por serem um produto e não terem uma estrutura própria. Segundo Honorato, o Next se diferencia das contas digitais, pois apesar de estar plugado à infraestrutura do Bradesco, ele não é só uma conta, mas sim um leque de produtos, jornadas e soluções pensadas exclusivamente para o Next.

E entre banco digital e conta digital?

Em abril de 2018, o mundo das fintechs tomou um susto: foi anunciado que o Neon, um dia após receber um investimento de R$ 72 milhões, havia sido liquidado pelo Banco Central. O que aconteceu foi o seguinte: a fintech Neon Pagamentos tinha uma parceria com o Banco Neon, que realizava a custódia e a liquidação das transações.

Quando o banco foi extinto, a fintech, que oferecia o serviço de conta digital, não foi afetada pela decisão do Banco Central. Mas não foi isso que todo o mundo entendeu quando saiu a notícia. A confusão foi justificada: o nome Neon foi assumido pelas duas empresas como se fosse uma coisa só, para evitar confusões. Mas, infelizmente, não deu muito certo. O desfecho, pelo menos, teve um final feliz: a Neon Pagamentos fez uma nova parceria, desta vez com o Banco Votorantim.

“Um banco digital é regulamentado pelo Banco Central, e pode fazer a custódia e a liquidação do próprio dinheiro, enquanto que uma conta digital, oferecida por uma fintech, trabalha em conjunto com um banco parceiro para esses serviços”, diz Álvares, da Neon Pagamentos.

Quais são as vantagens e as desvantagens dos bancos digitais?

Já falamos sobre algumas vantagens dos bancos digitais, como as tarifas mais baixas, a praticidade e, consequentemente, a burocracia muito menor. Mas outra questão também é a da bancarização, uma vez que a criação de uma conta fica muito mais fácil por só ser necessário um celular com acesso à internet.

Algumas desvantagens que os bancos digitais podem apresentar é a de que eles são novos e, consequentemente, não tem a mesmo estrutura que um banco tradicional.

“Os bancos digitais estão em ciclos evolutivos. Já os bancos tradicionais são grandes fortalezas com muito mais diversidade de soluções”, afirma Honorato.

Os bancos digitais são bons para mim?

Como são novidade e muito tecnológicos, os bancos digitais muitas vezes são associados a jovens, o que não é necessariamente o caso.

“Os bancos digitais são uma ótima alternativa para aqueles clientes que tem comportamento 100% digital, apesar de serem indicados para todos os tipos de públicos”, diz Álvares, da Neon Pagamentos.

Se você gosta de tecnologia e tem uma tendência a optar por serviços digitais, os bancos digitais podem ser uma opção mais vantajosa. No entanto, pesquise bem os serviços que eles oferecem para ver se, realmente, se adequam às suas necessidades.