Crédito para pessoa física pode crescer 12% em 2019, diz presidente da Acrefi

Por Diana Ribeiro

hilgo - siac

A projeção da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) é que o crédito livre – aquele que não tem direcionamento, como o crédito rural – cresça até 12% em 2019. Será uma expansão de 5 pontos percentuais sobre o resultado esperado para este ano. Para o presidente Hilgo Gonçalves, há duas explicações para esse desempenho: a queda da inadimplência e uma consciência maior do consumidor na hora de solicitar um empréstimo. Nesta entrevista ao IQ 360, após o 13º Seminário Internacional da Acrefi (Siac), o presidente da associação falou sobre perspectiva, cadastro positivo e educação financeira.

IQ 360 – Qual é a perspectiva para o crédito para pessoa física em 2019?
Hilgo Gonçalves – Acreditamos na expansão do crédito, especificamente no crédito livre para pessoa física. Estimamos um crescimento de 9% a 12% no próximo ano, com a expectativa de uma inadimplência menor. Há uma tomada de crédito mais consciente e, consequentemente, taxas de juros mais baixas.

IQ 360 – Como o sr. analisa o mercado de crédito neste ano?
Gonçalves – Acredito que houve uma reação, tanto que estimamos que o crédito livre para pessoa física irá crescer 7% em 2018, um aumento em relação a 2017, quando houve crescimento de 5%. Houve uma recuperação e há uma confiança maior. Como apontado na pesquisa Acrefi/Kantar TNS, há um interesse de 50% da população em pedir crédito. Está acontecendo uma retomada consistente e consciente.

IQ 360 – Quando o sr. cita programa Cidadania Financeira do Banco Central, fala em crédito do bem. O que é isso?
Gonçalves – É preparar o cidadão sobre educação financeira. Chamo de crédito do bem dar informações de como se relacionar melhor com o banco para tomar melhores decisões. A expressão mais correta é uso consciente do crédito. Se uma pessoa pega um crédito no banco, adequado à sua capacidade de pagamento, para comprar o imóvel que sonhava, aquele dinheiro ajudou a alcançar um objetivo. Mas tem de ser uma decisão consciente, não influenciada pelo consumismo e com informações prévias sobre a condição de pagamento e taxas de juros.

IQ 360 – Como o cadastro positivo pode beneficiar os consumidores?
Gonçalves – O cadastro positivo é para [a instituição financeira] obter informações sobre o comportamento de crédito. Não só como as pessoas se relacionam com os bancos, mas como pagam suas contas de água e luz, por exemplo. Dessa forma, é possível criar um score para cada perfil de consumidor, o que possibilita taxas de juros diferentes e mais adequadas para cada pessoa. Assim como o crédito do bem, ambos são para fazer com que o cidadão tenha uma tomada de crédito mais consciente.

IQ 360 – Qual é a sua dica de educação financeira?
Gonçalves – A minha dica é: tomem decisões conscientes, busquem informação e pesquisem bastante. Nunca vá a uma instituição financeira sem estudar. É importante fazer um planejamento e avaliar bem a sua situação financeira antes de qualquer escolha. Não compre nada por impulso e faça uma poupança. Se você ganha R$ 1 mil, poupe R$ 50 ou até menos. O valor não importa. Mas essa quantia deve ser incluída no seu orçamento.