Qual a diferença entre CDI e Selic?

Índice de Conteúdomenu

  1. O que são CDI e Selic?
  2. Histórico
  3. Como os investimentos são afetados?

No universo de índices financeiros, o CDI e a Taxa Selic parecem estar unidos de forma curiosa. A verdade é que esses dois índices, embora aplicados a valores e montantes completamente diferentes, possuem uma paridade.

O importante é notar que o CDI em si é um índice que acompanha a Selic com alguma desvantagem, em geral, embora permaneça acima dos índices inflacionários.

O que são CDI e Selic?

O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é um instrumento fundamental para que você inclusive entenda outros investimentos e aplicações do mercado. Do mesmo modo, a Taxa Selic é um índice econômico primordial, e a ele estão atrelados não apenas investimentos, mas índices salariais, de correção de juros em caráter governamental e administrativo, entre outros.

Os CDIs foram criados ainda na década de 1980 – são títulos emitidos por instituições financeiras que servem para lastrear operações entre bancos. Eles parecem muito com os CDBs, se você já aplicou nessa área, mas sua negociação é restrita ao mercado interbancário.

A Taxa Selic, por outro lado, é uma ferramenta de política monetária utilizada pelo Banco Central do Brasil para atingir a meta das taxas de juros estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Ao contrário do CDI, ela sofre influências diretas da administração pública, mas ainda assim influência e serve de base para os juros cobrados pelas instituições financeiras.

Tanto a Selic quanto o CDI são índices empregados parcialmente ou em sua totalidade como referências para títulos e investimentos de renda fixa.

Vários investimentos estão atrelados ao CDI, como é o caso dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), letras em geral e outros.

A Selic, por sua vez, oferece base de cálculo para os rendimentos da caderneta de poupança e aplicações como os os títulos e letras do Tesouro Nacional.

Histórico

Durante a primeira década após sua criação, em meados dos anos 1980, o CDI deu origem a toda uma nova gama de investimentos em renda fixa com menor exposição a políticas monetárias e decretos governamentais.

Naquela ocasião, altos índices inflacionários e grandes oscilações nas políticas monetárias no país criavam grande instabilidade em ativos de renda fixa. Os títulos criados a partir do CDI refletiam de forma mais realista o caixa e as movimentações dos próprios bancos e acabavam por ser menos dependentes de decisões políticas.

Mais recentemente, o cenário econômica mais estável no país levou a uma paridade bastante regular entre os dois índices, como é possível observar no quadro.

 

CDI SELIC Inflação IPCA

2016

10,42% 10,445% 6,29%

2015

13,238% 13,286% 10,67%

2014

10,813% 10,91% 6,41%
2013 8,06% 8,21%

5,91%

2012 8,396% 8,482%

5,83%

2011 11,595% 11,616%

6,5%

2011 9,75% 9,782%

5,9%

Ao avaliar, nesse cenário, investimentos em renda fixa baseados em porcentagens da DI, é possível deduzir que investimentos em renda fixa que pagam menos de 100% da CDI ficam abaixo da própria Selic, pagando uma rentabilidade menor do que os títulos públicos e outras aplicações de renda fixa atreladas ao próprio juro do governo.

Em outras palavras, quando o mercado começa a oferecer títulos e opções com rendimentos abaixo dos 100% da DI, aplicações em títulos públicos tornam-se mais vantajosas. Entretanto, como foi dito, a Taxa Selic está sempre sujeita a decisões de caráter político-governamental e, mais recentemente, tivemos uma considerável mudança nesse aspecto.

Como os investimentos são afetados?

Em 29 de dezembro de 2016, a taxa de 5 anos era de 11,50% a.a., refletindo a expectativa de redução da taxa Selic. Com a melhora do cenário econômico, no dia 17 de maio de 2017, esta taxa de 5 anos caiu para 9,87% a.a., subindo rapidamente para 11,67% no dia seguinte com a divulgação do áudio de Joesley Batista e o presidente Temer. Já em 29 de setembro, a taxa chegou a 9,42%, voltando a subir para 9,55% agora em 25 de outubro.

O mercado seguiu instável e com fortes incertezas para aplicações de renda fixa – geralmente o fiel da balança para quem investe pesado em renda variável. Mas, após uma atenuação dos altos e baixos, em outubro de 2017 a Taxa Selic sofreu nova redução imposta pelo COPOM, de 8,25% ao ano para somente 7,5% ao ano – a menor taxa desde o primeiro semestre de 2013.

Mas, tendo isso em consideração, como são afetados os investimentos – tanto aqueles atrelados diretamente à Selic quanto os baseados em proporções da CDI?

Qual a perspectiva para os próximos anos e o que isso afeta

Para os próximos anos, o mercado espera alguma recuperação das taxas, especialmente entre 2018 e 2019, mas a expectativa em geral é de certa constância. Para quem opta por investimentos de renda fixa por vários anos, embora a queda da Selic seja uma notícia não muito boa, seu cenário de estabilidade permite uma melhor visão dos ganhos a partir de títulos.

Para CDBs, LCAs, LCIs e outras opções de renda pré-fixada atrelada ao CDI, aplicações que oferecem 105% da CDI ou mais tornam-se necessariamente uma opção mais vantajosa.

As projeções de estabilidade criam um horizonte melhor para investidores de perfil mais conservador. Rendimentos mais baixos, porém de alta previsibilidade e ganhos relativamente proporcionais.

Para investidores mais agressivos e arrojados, a redução da Selic e consequente acompanhamento da Taxa de DI tornam os investimentos em renda fixa uma opção ainda menos compensatória.

De um modo geral, a redução das taxas de juros e a menor expectativa futura em relação a possíveis altas pode acelerar o mercado de renda variável e aplicações financeiras em ações e derivativos, ampliando a movimentação em bolsa.

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