Quem é Naji Nahas?

Por Redação IQ 360

Índice de Conteúdomenu

  1. Quem é Naji Nahas?
  2. O caso da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro

Naji Robert Nahas é um empresário que nasceu no Líbano, cresceu no Egito, foi educado em Londres e depois se radicou no Brasil em 1969. Ficou nacionalmente conhecido como a pessoa que quebrou a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989. Mas antes de falar sobre o caso, vamos conhecer melhor o empresário.

Quem é Naji Nahas?

Nascido em 3 de novembro de 1947, o empresário veio para o Brasil em busca de oportunidades e chegou no país com 22 anos e US$ 2 milhões cedidos pela família. Com a fortuna, Naji conseguiu ser dono de fábricas, fazendas de produção de coelhos, banco, seguradora e outros negócios, criando um conglomerado de empresas que o tornou multimilionário aos 40 anos.

Nos anos 80, Naji Nahas começou a aventurar-se no mundo das ações e bolsas de valores, investindo na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Nessa época, Naji já era dono de 7% das ações da Petrobras e 12% das ações da Vale, que valiam cerca de US$ 500 milhões da época.  Nove anos depois estourou a crise na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Entenda abaixo o que aconteceu.

O caso da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro

O caso todo começou em 1988, quando Nahas comprou um caminhão de opções de compra da Petrobras no momento que o valor estava baixo. Mas o que é caminhão de opção de compra de ações? É uma aposta no escuro em que o investidor conta com a sorte ou com a perspicácia.
Para exemplificar: imagine que o valor de uma ação seja R$ 50. Você paga R$ 1 por um vale (em papel mesmo) que garante que a mesma ação poderá ser comprada em 30 dias por R$ 100.
A grande sacada de sorte, ou inteligência, é que se a ação subir para R$ 150,00 você pagará somente R$ 100,00. Mas, se a ação ficar abaixo, digamos por R$ 70,00, você terá que arcar com o prejuízo e pagará R$ 100,00. A lógica na realidade é bem simples.
E Nahas tinha um caminhão de vales para comprar ações.
Mas como ele conseguiu dinheiro para investir? Bem, ele conseguia empréstimos em vários bancos da capital paulista e aplicava na bolsa, fazendo negócios com ele mesmo, usando laranjas e corretores. Com isso os preços das ações subiram e ele contabilizava cada vez mais lucros.
Ao longo dos meses Nahas continuou investindo até que o presidente da Bovespa, insatisfeito com as manipulações, convenceu os bancos a pararem de emprestar dinheiro para o investidor. Sem dinheiro, os cheques sem fundos começaram a aparecer e as corretoras que intermediaram os negócios ficaram com a dívida.
A Bovespa então confiscou a carteira de ações de US$ 500 milhões de Nahas compensando o prejuízo.  Nahas amargou um ano de prisão domiciliar e foi processado por crime contra o sistema financeiro, mas foi absolvido.  Em sua defesa, Nahas disse que a crise das bolsas de 1989 aconteceu por causa de alterações nas regras de negociações de ações – Nahas foi inocentado deste processo em 2004.
Você também pode ler sobre o empresário no livro Crash, do jornalista Alexandre Versignassi.