Como conseguir um dinheiro extra para quem não tem 13º

Por Fernanda Santos

O Brasil tem 37,3 milhões de trabalhadores informais que não têm direito ao décimo terceiro salário. Com os inúmeros gastos extras de fim e começo de ano, é importante tomar cuidado para não começar 2019 no vermelho. Reunimos algumas dicas para ajudá-lo a fugir das armadilhas desse período

trabalhadores-informais-decimo-terceiro-dicas
Dicas para quem não recebe o décimo terceiro

O número de brasileiros no trabalho informal não para de crescer. Para se ter uma ideia, o País tinha cerca de 37,3 milhões de pessoas na informalidade em 2017, quase 1,7 milhão a mais do que em 2016.

Lembrando que são trabalhadores informais aqueles que fazem ‘bicos’, trabalham por conta própria (autônomos), têm pequenos negócios ou trabalham para outras pessoas, mas sem carteira assinada.

Esses trabalhadores, como o próprio nome diz, não  têm alguns direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como férias remuneradas, recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou o décimo terceiro salário, esse dinheiro ‘extra’ que ajuda a sobreviver ao fim do ano.

Janeiro é quando as contas mais crescem

Sem uma renda a mais no fim do ano, as contas podem ficar ainda mais apertadas, especialmente para quem não conseguiu poupar ao longo dos meses.

Para se ter uma ideia de como os gastos aumentam no fim e no começo de ano, janeiro é o mês em que os brasileiros mais buscam modalidades de crédito (46%), especialmente o cartão de crédito. O dado é de uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

O mesmo levantamento também concluiu que 8 em cada 10 brasileiros já estavam no limite do orçamento em agosto. Desses, 38% estavam no vermelho, ou seja, endividados.

Se você é um trabalhador informal, as dicas abaixo podem ajudá-lo a organizar a vida financeira para começar 2019 mais tranquilo.

Não caia na tentação das compras

O primeiro conselho dos especialistas para o trabalhador informal é não cair na tentação do consumo, que é típica desta época do ano.

Uma volta pelo shopping center já mostra como o apelo emocional é forte: são inúmeras lojas e propagandas incentivando a comprar presentes para as pessoas queridas, fechar viagens de férias ou passeios, comprar eletrodomésticos novos para a casa entre outros.

“O trabalhador informal precisa ter uma consciência financeira maior e não ser consumista, para não se endividar”, explica Ricardo Natali, educador financeiro da DSOP, uma organização voltada à educação financeira.

Lembrando que a vida financeira dos trabalhadores informais costuma ser imprevisível. O melhor, portanto, é não deixar dívidas para os próximos meses.

Considere fazer alguns ‘bicos’ de fim de ano

Se você não guardou dinheiro ao longo de 2018 e está com o orçamento apertado, gastando tudo ou mais do que ganha, provavelmente vai faltar dinheiro nesta época do ano.

Mesmo que decida não viajar e economize muito nas compras de Natal, em janeiro chegam algumas contas que são obrigatórias. Não há como fugir dos  impostos (IPTU e IPVA), das matrículas e dos materiais escolares, do aumento de aluguel e do reajuste do plano de saúde.

Portanto, os especialistas indicam que o trabalhador informal busque um trabalho temporário, os famosos ‘bicos’, para ganhar um dinheiro extra e cobrir esses gastos.

“A saída mais vantajosa é encontrar algum tipo de trabalho que dê uma renda extra. Para quem não se planejou bem e agora vai ter dívidas para pagar, o ideal é gerar essa receita a mais”, afirma Natali.

Se você só tem a noite livre, pode fazer um bico de garçom ou garçonete, por exemplo. Outra ideia é fazer algumas corridas como motorista de transporte por aplicativo (Uber, 99Táxi, entre outros).

Mas, se só tem o fim de semana para fazer ‘bicos’, pode preparar algum alimento para vender na praia ou nos locais movimentados da sua cidade.

Você pode aproveitar também os inúmeros eventos e festas de fim de ano para conseguir trabalho como hostess, barman, faxineiro ou qualquer outra função. 

Se precisar de crédito, pegue um barato

Se você não tem dinheiro e não vai conseguir fazer um ‘bico’, o melhor é já pensar em um crédito barato para cobrir os gastos dessa época. O ideal é não entrar no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito, que são empréstimos com juros bastante altos.

A indicação aqui é pesquisar em bancos menores, cooperativas e fintechs (empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros) alguma linha de crédito com juros baixos e que caiba no orçamento.

Não cometa o mesmo erro 2 vezes

Tão importante quanto pensar em como pagar as despesas imediatas é se preparar para ter uma reserva financeira no futuro, assim, você foge do estresse de correr atrás do dinheiro sempre que uma conta está para chegar.

Natali sugere que o trabalhador informal comece colocando no papel todo o dinheiro que entrou e saiu do orçamento nos últimos 3 meses.

“A pessoa endividada precisa identificar onde está o erro. Saber por que ela está endividada. Você pode até recorrer a uma modalidade de crédito, mas tem que saber onde está o erro para não repetir”, explica o especialista em educação financeira.

Comece a guardar dinheiro

Depois de analisar as contas será hora de cortar os gastos desnecessários e incluir nas despesas obrigatórias uma reserva mensal.

“O ideal é poupar pelo menos 10% da renda mensal. Quanto mais você conseguir poupar, melhor, porque consegue alcançar mais objetivos, mais sonhos”, diz o educador financeiro.

Essa reserva vai ser muito útil para eventuais emergências, despesas extras do ano seguinte e até mesmo para realizar alguns sonhos de médio e longo prazo. Você pode, por exemplo, planejar uma viagem ou a compra da casa própria.

O dinheiro poupado também pode ser investido para que renda juros ao longo do tempo e sua reserva cresça.

Se você vai usar o dinheiro já no próximo ano, é importante escolher alguma aplicação segura e com liquidez, ou seja, algo que você possa pegar de volta a qualquer momento.