Troque a sua poupança por LCI ou LCA ainda em 2018

Por Isabela Borrelli

O Ministério da Fazenda sugeriu a tributação das aplicações LCI e LCA, que atualmente são isentas de Imposto de Renda

A tributação de 15% sobre elas resultaria em uma arrecadação de R$ 1,2 bilhão, em 2019,  e de R$ 1,3 bilhão, em 2020

O Ministério da Fazenda apresentou uma série de sugestões para equilibrar os gastos públicos para a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro. Entre elas, está a tributação das aplicações Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que atualmente são isentas de Imposto de Renda.

Segundo o jornal Globo, a Fazenda propôs uma tributação de 15% sobre esses investimentos, o que resultaria em uma arrecadação de R$ 1,2 bilhão, em 2019,  e R$ 1,3 bilhão, em 2020. A questão é: se essa medida for aprovada, ainda seria vantajoso investir em LCI e LCA ou haveria outras opções mais interessantes?

Se você guarda seu dinheiro na poupança, deveria procurar o gerente do seu banco ainda hoje e perguntar se existe um título de LCI ou LCA disponível para investir. Isso porque a rentabilidade vale muito a pena sem o IR. Em média, existem LCI e LCA por R$ 5 mil, mas algumas instituições financeiras têm títulos a partir de R$ 1 mil. Esse pequeno valor aplicado em LCI ou LCA rende cerca de R$ 128, quase 2,8 vezes mais do que os R$ 46 de retorno da poupança.

LCI e LCA: investimentos para quem é conservador

Ao aplicar nas Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ou nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), você está emprestando seu dinheiro para instituições financeiras investirem nos mercados imobiliário e agropecuário, respectivamente. Ao contrário de outras opções, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), a LCI e a LCA são isentas da tributação do imposto de renda (IR), o que as torna especialmente atrativas no curto prazo.

“Quando você investe acima de 2 anos, a alíquota de imposto de renda passa a ser a mínima, que é a de 15%. Por isso, acima desse período vale a pena investir em CDB, por exemplo, que cobra imposto de renda, mas rende mais”, indica Beatriz Prata, assessora de investimentos da Mais Retorno.

As LCI e LCA rendem por volta de 90% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), enquanto o CDB rende, aproximadamente, 110%. Como antes de dois anos o imposto de renda sobre os investimentos em CDB é maior que 15% (para o prazo de 180 dias, por exemplo, chega a 22,5%), as LCI e as LCA são mais vantajosas. Após esse período, o investidor deve escolhar o CDB, que é uma opção mais interessante, mesmo descontando o IR.

Além disso, o LCI e a LCA são aplicações indicadas para investidores conservadores, uma vez que o risco é extremamente baixo. Ambos são títulos de renda fixa e tem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), ou seja, se o emissor desse título tiver qualquer problema, a sua aplicação, até R$ 250 mil por emissor, está garantida.

Com o imposto de renda, continua valendo a regra dos dois anos para LCI e LCA?

Nesse cenário, é provável que as aplicações LCA e LCI renderão igual aos CDBs, tornando a escolha indiferente em termos de ganhos. “Se o imposto for igual ao do CDB, vai valer a pena o que pagar mais, não necessariamente será menos interessante LCA ou LCI acima de 2 anos”, afirma Prata.

A assessora de investimentos calcula que, se houver a tributação de IR, é possível que os títulos passem a render mais, por volta de 105% bruto do CDI, para que o retorno líquido para o investidor continue em 90% do CDI.

Quais são as outras opções?

Títulos de crédito privado, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA) e debêntures, que são isentos de IR, podem ser opções vantajosas. “Eles são investimentos atrelados ao setor de infraestrutura, como empresas de saneamento, do setor imobiliário, elétrico, etc. Existe a isenção do imposto de renda para que as pessoas realmente invistam neles. Então, acho bem difícil acontecer tributação nesses títulos”, diz a assessora.

Ao mesmo tempo, junto com um ganho maior, esses títulos são mais arriscados. Eles não tem garantia do FGC e é preciso prestar atenção na empresa que está investindo. Prata aconselha: “Lógico que uma empresa menor, algo mais arriscado, vai pagar muito mais. Mas Petrobrás, Vale, Raízen, por exemplo, são empresas que são quase impossíveis de quebrar, então elas acabam sendo investimentos conservadores e você consegue um retorno melhor.”