O novo guardião da inflação e da Taxa Selic

Por Redação IQ 360

Banco Central do Brasil
Reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na sede do Banco Central, em Brasília

O economista Roberto Campos (1917-2001), um dos principais nomes da direita do País, disse certa vez que “por defender o liberalismo econômico, fui considerado um herege imprudente. Os acontecimentos mundiais me promoveram a profeta responsável”. Chamado pelos críticos de Bob Fields, ele foi um dos principais defensores da adoção dos conceitos liberais no Brasil. Campos participou ativamente da política nacional e foi um dos idealizadores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco Central (BC) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A partir de 2019, um de seus herdeiros estará no comando de uma dessas suas criações: Roberto Campos Neto foi anunciado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro como o novo presidente do BC, no lugar de Ilan Goldfajn. O novo presidente do BC une-se ao time de pensadores liberais do governo, como quer Paulo Guedes, o ministro da Fazenda. Além de Campos Neto, o economista Joaquim Levy será o comandante do BNDES e Roberto Castello Branco, que faz parte do time de transição, têm a mesma visão sobre a economia.

Uma das principais funções de Campos Neto será manter a inflação sob controle no País. A partir de 2019, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu como meta uma inflação de 4,25% ao ano – com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No período de 12 meses até outubro deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, estava em 4,56%. Os principais analistas do mercado financeiro projetam um IPCA de 4,22% no fim deste ano e de 4,21% em 2019.

Outra atribuição do novo presidente do BC é comandar as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesses encontros, que acontecem com um intervalo de 45 dias, é decidida a Taxa Selic, o juro básico que serve de base para toda a economia brasileira. Ela influencia desde os investimentos, como a remuneração dos títulos do Tesouro Direto, até o juro cobrado nos empréstimos e cartões. A Selic está estável em 6,5% ao ano, mas a previsão dos economistas de mercado é de um aumento para 7,5% e 8% em 2019.

Campos Neto ainda terá de passar pela sabatina da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado Federal, antes de assumir o cargo. Isso acontece em razão de o presidente do BC ter status de ministro. Aos 49 anos, o economista formado pela Universidade da Califórnia (UCLA) trabalhou com Guedes entre 1996 e 1999 no Banco Bozano Simonsen. Em seguida, ele ingressou no Santander para chefiar a área de renda fixa internacional. Essa passagem pelo banco espanhol foi interrompida por um ano, em 2004, quando Campos Neto foi para a gestora Claritas. Atualmente, era o responsável pela tesouraria das Américas do Santander.