Seguro Auto x Cooperativa de Proteção Veicular: entenda a diferença

Por Diana Ribeiro

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Com preço atrativo até 70% mais barato do que o de uma seguradora, as cooperativas de proteção veicular vêm ganhando espaço entre os donos de automóveis. Mas será que essa é uma boa alternativa? Neste artigo, vamos te contar o que são as cooperativas, como funcionam e se o baixo custo realmente vale a pena

O que são as Cooperativas de Proteção Veicular?

Em sua essência, as cooperativas são organizações de pessoas que prestam serviços aos associados, sem fins lucrativos. Seguindo essa lógica, surgem as cooperativas de proteção veicular, também conhecidas como associações. Essas associações nascem como alternativas às grandes seguradoras.

Estima-se que haja no Brasil mais de 2 milhões de cooperados divididos em cerca de 500 associações. Esse número se explica pelo baixo preço, em alguns casos chegando a ser 70% a menos do que o valor do seguro auto. Além disso, outra vantagem que atrai os consumidores é que não há nenhuma análise de perfil, sendo uma alternativa para quem foi rejeitado pelas seguradoras ou tem valor elevado do seguro auto, como é o caso de jovens, donos de automóveis antigos e negativados.

Como funciona as cooperativas de proteção veicular?

Você deve estar se perguntando: como a cooperativa funciona? Nas associações de proteção veicular, algumas pessoas se reúnem, e ao optarem por fazer parte de uma cooperativa, tornam-se cooperados. Cada cooperado paga uma mensalidade para custear a operação, além da taxa de adesão. Algumas pessoas ficam responsáveis por administrar esse dinheiro.

Esse montante arrecadado mensalmente é utilizado caso ocorra algum incidente com o carro de algum dos cooperados. Sendo assim, usa-se o dinheiro para arcar com o custo do sinistro.  Porém, é difícil prever quando algum cooperado precisará do dinheiro para cobrir os danos do seu veículo ou até mesmo quantos sinistros ocorreram simultaneamente. Isso faz com que a mensalidade não seja fixa, pois é preciso fazer o rateio dos gastos dos sinistros.

O risco de cada carro da cooperativa é dividido entre todos os participantes, pois não existe nenhuma instituição responsável por trás que assegure o pagamento em caso de qualquer incidente. Por ter uma quantidade limitada de dinheiro em caixa, há o risco da cooperativa não ter como cobrir com o valor dos sinistros caso ocorra, por exemplo, um desastre natural ou acidente que afete uma grande quantidade de veículos dos cooperados.

Qual a diferença entre o seguro auto e a cooperativa?

Se você já pesquisou pelo seguro auto oferecido pelas seguradoras e pelas cooperativas de proteção veicular deve ter notado que o discurso é bem parecido. A proposta das duas modalidades são as mesmas, a de segurar o seu veículo em casos de furto, roubo, incêndio e acidente. Além de cobertura para terceiros e serviços da assistência 24h.

No entanto, na prática nem sempre é assim que acontece. Há muitos relatos de cooperados que não receberam o valor do sinistro de seus veículos ou que receberam um valor inferior ao da tabela FIPE. Isso pode ocorrer por má administração dos recursos, mas também por falta de capital, pois as cooperativas não são como as empresas de seguro que contam com resseguro. O resseguro nada mais é do o seguro da seguradora.

Veja as principais diferenças entre o seguro auto e as cooperativas de proteção veicular:

  •  Pagamento: o prêmio é o valor pago para a seguradora quando o cliente contrata o seguro auto. O valor do prêmio é influenciado por vários fatores tanto do carro como do motorista. As seguradoras fazem uma análise de risco do condutor e também avaliam o modelo e ano do carro, assim como itens de segurança do veículo. Todos esses fatores são importantes para definirem o prêmio. Esse valor é previamente estabelecido e o segurado pode pagar em cota única ou parcelas pré-estabelecidas. As cooperativas de proteção veicular levam em conta apenas as características do carro e o valor pago é mensal composto por taxa de administração fixa mais o rateio de todos os prejuízos com os carros da cooperativa do mês anterior, além da taxa de adesão paga inicialmente.
  • Caso de sinistro: em caso de sinistro, se você contratou uma seguradora é garantido o pagamento da indenização, pois é uma obrigação das seguradoras (firmada pela apólice) terem reserva para isso. Já as cooperativas de proteção veicular não há essa garantia: o pagamento vai depende da mensalidade de todos os cooperados e do dinheiro em caixa. Além disso, nas cooperativas há um limite permitido de sinistros dentro da vigência do contrato.
  • Contratação: ao contratar um seguro auto você assina uma apólice que é um contrato em que consta todos os direitos e responsabilidades do segurado e da seguradora. É a partir desse momento que a seguradora assume todos os riscos do veículo. Nesse documento fica claro todos os serviços contratados. Já no caso das cooperativas não há uma apólice que firme as responsabilidades e direitos de cada parte, pois nessa modalidade os donos dos veículos formam uma associação. Sendo assim assinam um contrato de responsabilidade mútua todos os cooperados, ou seja, todos são responsáveis pelos carros associados
  • Regulamentação: uma diferença importante entre as seguradoras e as cooperativas é a regulamentação dos serviços. As seguradoras contam com regulamentação e aprovação do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), e fiscalização do Ministério da Fazenda que controla o mercado de seguros. Já as cooperativas não são regulamentadas por leis e nem são fiscalizadas por nenhum órgão governamental. Formar cooperativas é um direito garantido pela Constituição Federal Brasileira, no entanto, as associações de proteção veicular não têm nenhuma forma de regularização e fiscalização. Desta forma, as regras das cooperativas são determinadas internamente por seus integrantes.
  • Análise de perfil: para definir o valor do prêmio, as seguradoras fazem uma análise de perfil de risco do responsável pelo veículo. Essa análise avalia quanto o segurado pode custar a empresa e leva em consideração fatores como a idade, sexo, onde mora, tempo de habilitação, para que utiliza o carro, onde estaciona, etc. O valor do prêmio pode aumentar ou diminuir de acordo com o perfil traçado pelas seguradoras. No caso das cooperativas não há essa análise.

Se você pensa em se associar a uma cooperativa de proteção veicular é importante ter claro que as diferenças se baseiam na seguinte lógica: quando você contrata um seguro auto qualquer risco que o seu carro possa a ter é responsabilidade da seguradora. Já no caso das cooperativas, você é sócio de outras pessoas e todos compartilham a responsabilidade dos riscos dos veículos.

Basicamente, o que ocorre nas associações de proteção veicular é a divisão dos riscos dos veículos entre todos os sócios. No entanto, não há regulamentação e nenhuma garantia de que não sairá no prejuízo caso ocorra um sinistro e cabe a você avaliar se vale a pena correr esse risco.

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